O silêncio tem sido o grito mais ensurdecedor nas minhas madrugadas
O silêncio que vem carregado de tantos gritos e vozes, perguntas que nunca encontram resposta
O silêncio me assombra, me aprisiona numa angustia que parece não ter fim
O peito acelera, a mente vira um turbilhão, os olhos que não se fecham e um corpo que não descansa
Minha mente tem sido meu pior inimigo e com ela tenho travado as maiores batalhas
Mas me sinto cada vez mais fraca e perdendo
Me perdendo, sem saber pra onde e como voltar
Sem saber onde me encontro
No espelho, vejo a imagem de uma pessoa cansada, sem vida, sem cor, sem brilho
Mas o sorriso que aprendi a colocar no rosto ainda segue mostrando pro mundo aquela que um dia fui
As pessoas são mesmo superficiais, e raramente conseguem ver a dor que se esconde por trás de um sorriso
Assim, fica facil enganar o mundo, enquanto a gente vai morrendo lentamente a cada dia…

As vezes o poema mais triste que escrevo está nas lagrimas que escorrem pelo meu rosto de maneira incontrolável
Está no silêncio fruto da ausencia de palavras que a tua ausencia tem me causado
Está no tanto que grito, mas principalmente no muito que calo
Está aqui, nessas folhas desse pequeno caderno que em cada palavra gritam desesperadamente seu nome.
Mas é como se meu grito fosse mudo e mais ninguém pudesse ouvir, nem você me ouve mais
Então escrevo na tentativa de tirar do peito você e te deixar num pedaco qualquer de papel
Num poema que poderia ser lindo, ser de amor
Mas hoje, o poema mais triste que pude escrever, foram essas lagrimas, e acredite foram minhas palavras mais sinceras.

Sempre fui de sonhar, de ver poesia e beleza onde ninguém mais enxergava
Desde criança observava o mundo com sede, com vontade e brilho nos olhos de quem acreditava na beleza da simplicidade
E hoje a mulher que sou ainda guarda essa menina
Mesmo que cansada, mesmo que triste com tanta coisa pesada acontecendo no mundo
Mesmo que com o coração um tanto quanto machucado
Ainda carrego o olhar da menina que sonha
Que vê beleza e poesia nas coisas mais simples
Que mesmo com a correria dos dias, da rotina que por muitas vezes esmaga e nos impede de apreciar e contemplar o tempo, ainda tenta andar devagar sentindo o vento e os raios do sol abraçarem o corpo e a alma
Que vê as cores, formas e aromas dos alimentos antes de por mim matar a fome do corpo
A menina que ama ter os pés no chão, sentir a grama acariciar a alma
Que ama flores, e que não pode ver uma florzinha no caminho que para, toca, sente o cheiro e claro, fotografa pra eternizar a beleza única que cada flor proporciona
E hoje a menina, que anda cansada, com o coração apagado, os olhos sem brilho e o sorriso sem vida ao acordar pra tomar o sey café da manhã, viu no seu caminho
O caminho de todos os dias entre o quarto e a cozinha, a possibilidade de fazer poesia com a própria imaginação
De deixar o olhar viajar com algumas borboletinhas espalhadas pela porta da geladeira fria e as flores que trouxe pra dar vida ao vazio desses dias sem fim que 2020 nos trouxe
E por alguns instantes a rotina gasta e cansada deu espaço pra que a menina pudesse tirar os pés daquele piso frio e flutuar em nuvens doces, num dia dourado e sem pressa de escurecer, e por alguns instantes algo aqui dentro fez brilhar essa menina que a tanto tempo não sabia mais o que era sentir o mundo ser bonito na simplicidade e nas miudezas do caminho.

Hoje de tarde me senti cansada, e resolvi deixar minhas obrigações de lado e me permiti deitar pra tirar um cochilo
Não ando dormindo bem de noite, e o cansaço vem batendo cada vez mais forte, em todos os níveis possiveis
Sonhei com você, o que não é novidade, já que você frequenta os meus sonhos todas as noites desde o dia em que te conheci
Mas foi diferente, quando acordei, pois não me lembrava ao certo do sonho, mas lembro que você estava lá
E acordei com a sensação de ter te encontrado, acordei com seu cheiro, seu toque e seu abraço
Com a sensação de segurança que sempre me trouxe, e a felicidade plena que o seu sorriso me traz
Acordei inspirada, feliz e sorrindo, como se tivese acabado de te encontrar
Um sorriso largo e incontrolável que a tempos não aparece em meu rosto
E uma vontade imensa de cantar, de falar de amor, e de como a vida é linda
E por alguns instantes me senti feliz, como se você ainda estivesse aqui, do meu lado
Me sentei, e antes que pudesse pensar em pegar meu violão, meu celular vibra
ERA VOCÊ
Não acreditei, tomei um susto, pensei ainda estar dormindo
Mas não estava, nem esperava mais receber alguma mensagem sua
Já que faziam semanas desde a ultima vez que nos falamos, e você pareceu não ter gostado muito do que ouviu
E como sempre, me deixou falando sozinha, sem resposta, mostrando que de fato não tem a menor importancia pra você nada do que sinto, penso ou falo
Quando olhei pra tela do celular e vi seu nome, ali, meu corpo estremeceu, gelou, fiquei sem reação e apenas lendo as mensagens que chegavam pela barra
Levei um tempo para ter coragem para abrir e responder
Não, a mensagem não dizia nada demais, dizia que me amava, como uma amiga e se desculpava por não estar sendo um bom amigo
Mas eu me sentia como numa montanha russa, o peito explodindo confuso com tantos sentimentos
E as lagrimas então sairam sem que conseguisse controlar
Como vou cantar agora? Sobre o que vou cantar agora?
Na verdade, tudo que eu mais queria é entender, como depois de todo esse tempo, e de tudo que já aconteceu, você ainda mexe tanto comigo
Como ainda consegue me fazer sorrir de uma maneira que ninguém mais consegue, é dono do meu sorriso mais puro e verdadeiro
Um sorriso de criança quando vê um parquinho em uma pracinha num dia qualquer
Como você ainda consegue me fazer sorrir, mesmo em meio a um tanto de lágrimas
Como você ainda é dono de todo o meu amor
Porque eu ainda continuo aqui, enquanto você se foi, escolheu viver longe de mim
Escolheu sorrir ao lado de outro alhguém, e dividir a vida por ai, com outras pessoas
Escolheu o lugar mais distante de tudo que eu poderia tocar, de tudo onde poderia chegar
Escolheu se manter o mais distante possivel da minha vida
Como se essa distancia pudesse de alguma forma mudar o que sinto por você
E eu até pensei que poderia, que ficar longe seria a melhor coisa pra poder dar fim a esse sentimento
Mas parece que nada do que fiz até hoje funcionou, nem por um segundo fui capaz de tirar você de mim
E eu continuo sem saber, o que fazer de tudo que ficou, do tanto que ainda sinto
Sem saber o porque disso, eu que nunca antes senti algo assim
Ou que fiquei tanto tempo sem conseguir enfim partir de alguém, hoje sigo segurando suas malas, sabendo que você não vai voltar um dia para buscar
Sabendo que em momento algum você olhou pra tras e se perguntou como seria se você tivesse ficado, ou se por descuido resolvesse voltar
Eu continuo parada na estação de onde você seguiu, sem mim
Esperando e assistindo, a vida que passa, os trens e pessoas que chegam e saem
Na esperança de que um dia, possa ver o teu sorriso mais uma vez ser meu, mesmo que por um segundo, mesmo que pra dizer mais uma vez, adeus…

Me diz, como seguir em frente, com tanto de você que ficou em mim?
Me diz, como me refazer, sozinha, se ainda me vejo parada, no mesmo lugar onde nos vimos pela ultima vez
Te esperando.
é como se você tivesse saido, andando, em passos indecisos, mas decidido a viver
e foi, seguiu, e segue vivendo sua vida
E eu? continuo aqui, no mesmo lugar, naquele gramado, sentada
te olhando de longe, te vendo seguir, sem mim
Te vendo sorrir pra outros olhares, com outras pessoas, ser abraço em outros braços
então volta aqui e só me diz, como faço pra seguir, se aqui dentro ainda é você
sempre foi, desde a primeira vez que nossos olhares se cruzaram
E mesmo no instante em que eles se perderam por um tempo, ainda era você
E quando você voltou, foi você com mais brilho do que nunca
Tem sido você desde sempre, e não consigo mais ser com outro alguém
então volta, me diz, como posso seguir em frente, se toda sua bagagem continua aqui?
Teu jeito, tuas manias, tuas risadas e o teu sorriso
Tua fala, mansa, leve, teus toques, o cheiro e o gosto
Então volta, me ensina a ser, sem você
Me ensina a seguir
Me ensina a esquecer
Ou então, só volta, e fica mais um pouco, quem sabe até amanhecer…

Hoje eu te encontrei, nos meus sonhos, mais uma vez
Já se tornou rotina você aparecer por aqui
O que me faz pensar que talvez o tal clichê do “Homem dos sonhos”
exista mesmo, e você é o homem que passeia em meus sonhos
te vi ali, sorrindo, e quando acordei, pintei um quadro
um quadro com o teu sorriso transbordante
me disseram que na verdade, aquilo era um céu estrelado
tolos, se conhecessem o seu sorriso, reconheceriam em cada traço
pintado pedaços de ti
assim como eu reconheço em você galáxias de mim
se pudessem te ver como eu vejo, entenderiam quando digo que
cada sorriso teu, acende infinitas estrelas no céu

Acabei de escrever a coisa mais dolorida da minha vida, até hoje. Não sei se chamo de texto, poesia ou só uma carta, mais uma das que você nunca vai ler, escrevi com tudo que tenho, tudo que sou e tudo que sinto, cada palavra, cada lembrança eram lagrimas caindo do meu rosto, como se aquelas palavras não fossem o suficiente pra botar pra fora tudo aquilo que sinto, que calo, todo tanto de você que em mim ficou desde que você escolheu partir…

E a flor?
Ah, a flor sempre ressurge depois do inverno
E eu, sempre quebro as promessas
Achei que a culpa era dos sonhos e das memórias, bobagem
A culpa é do amor, sempre é
Amor que surge inesperadamente, e fica
Amor que de tão forte chega a doer
Amor não vivido, mas profundamente sentido
Amor que por não ter por onde sair, transborda em meus olhos
Seja como for, é sempre ele, sempre o amor
Me sinto como quem embarcou numa viagem, sem passagem de volta, segurando uma bagagem de alguém que já foi, de alguém que não vai mais voltar
E sem saber o que fazer com o que ficou aqui
Sem conseguir deixar essa bagagem pra trás e seguir
Sem conseguir uma passagem de ida, que me leve pra outro sentimento
Sem saber o que fazer com todo amor que ficou em mim
Fazendo promessas que esse meu amor insiste em quebrar…

Antes rodava pelo mundo observando suas cores, formas, aromas, e todas as belezas que nele habitam
Antes os abraços eram quentes, vivos, presentes
Antes as noites tinham música, vinhos e bons amigos
Antes os dias eram corridos, mas cheios de vida e cor
e hoje?
Hoje rodo o quarto observando as paredes, cheias de lembranças de  lugares e pessoas, paredes que carregam saudades
Hoje os abraços são virtuais, distantes e mais vazios
Hoje as noites tem insonia, angustias e mais um tanto de saudade
Os dias hoje são quase sempre iguais, e tudo que vejo em minha frente é a tela fria desse computador
E ele tem sido minha maior companhia nesses dias
é através dele o trabalho, as aulas e estudos, os encontros com amigos,
os shows e espaços de arte
Acordo, abro os olhos, passo rapidamente o olho na tela do celular  pra conferir os “compromissos” do dia, me levanto pra tomar meu café, mas não sem antes ligar o computador
Muitas vezes o café é na cama, em sua companhia, outras eu o levo para almoçar na mesa
E quando raramente nescessito sair, ele também ousa me acompanhar
Ele se tornou parte minha, ou eu que me tornei parte dele?
Nem sei ao certo, mas sei que um precisa do outro, assim, todos os dias entramos numa
doida sintonia e damos conta de nossos compromissos e rotina
E enquanto isso, seguimos esperando que a vida aos poucos volte a ser viva e menos online
Saudades de quando olhava janelas e céu, as cores do mundo
Saudades da vida sem essa tela pra viver.

Madrugada

Vida em silêncio

Um mundo no mudo

E eu aqui, ainda sem dormir

É que minha mente tem barulho demais

E o meu coração ta inundado de sentimentos

Transbordantes, perdidos

Ausências que doem

Silêncios que ferem

Assim são os dias, sem você por aqui

Mas lembrar do teu sorriso, ainda acende estrelas no meu céu

Aquece meus dias frios

E traz cor pros dias cinzas

Lembrar do teu sorriso, ainda torna vivo o meu

Mas lembrar que não posso mais ter esse sorriso é o que me traz de volta pro vazio da cama e me deixa assim

Afogando nesse mar de sentimentos todos teus

Sem ter braço que ancore

Sem ter braços pra fugir…